Reparação

Ministério Público Federal pede reparação a familiares de vítimas do acidente da Chapecoense

Três anos depois, famílias seguem sem receber valores da apólice de seguro

28/11/2019 15h06
Por: Costa
Fonte: GloboEsporte.com — de Chapecó (SC)
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Protesto em Londres com a participação de Neto e de viúvas — Foto: Marcel Camilo/Divulgação

 

Os familiares das 68 vítimas brasileiras (64 fatais e quatro sobreviventes) do acidente aéreo com a delegação da Chapecoense, que completa três anos nesta sexta-feira, ganharam um grande reforço na busca por respostas em relação aos responsáveis pelo ocorrido na Colômbia. O Ministério Público Federal (MPF) de Chapecó ingressou com uma ação civil pública pedindo condenação dos responsáveis e reparação de danos morais e materiais em favor da famílias.

Agora, resta a deliberação da Justiça Federal para que o processo tenha andamento. A ação é consequência de uma audiência realizada na Comissão de Relações Exteriores do Senado, em agosto, com participação das representantes da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo da Chapecoense, a AFAV-C, e do zagueiro Neto, um dos sobreviventes, onde novos documentos foram apresentados.

Em setembro deste ano, uma comitiva de nove pessoas (quatro viúvas, o zagueiro Neto, o presidente da Associação Brasileira da Vítimas do Acidente com a Chapecoense, Abravic, e três advogados) foram até Londres e fizeram um ato de protesto em frente à sede da Aon, empresa que se alega ter atuado como corretora do seguro da aeronave da LaMia, e da Tokio Marine Kiln, seguradora.

Três anos após o acidente, os familiares das vítimas seguem sem receber o valor do seguro da aeronave.

Entenda o caso

O seguro da aeronave era de US$ 25 milhões (cerca de R$ 104 milhões), na época do acidente, mas os advogados das famílias contestam. Eles dizem que, até 2015, a apólice era de US$ 300 milhões (R$ 1,24 bilhão) e, a partir de 2016, mesmo com o risco ampliado por passar a transportar atletas de clubes de futebol, a apólice caiu de valor.

Os advogados das famílias dizem que a Aon é responsável pela avaliação de risco de seguros e que tinha conhecimento que a aeronave sobrevoaria áreas de risco, como a Colômbia. Para não fazer o pagamento da indenização, a empresa de seguro alega que a apólice não estava paga, porém, segundo os advogados das famílias, não houve uma comunicação sobre o não pagamento da apólice às autoridades locais, o que impediria o voo.

Embora se recusem a pagar o seguro, duas empresas - Tokio Marine Kiln, seguradora nascida no Japão, e a boliviana Bisa - fazem parte de um fundo humanitário que ofereceu um repasse de dinheiro às famílias das vítimas. Elas ofereceram cerca de R$ 935 mil para cada uma. Em troca, os beneficiários teriam de desistir das ações na Justiça. Ao todo, 23 famílias toparam o acordo. E 48, não.

As pessoas que organizam o protesto em Londres calculam que o valor devido pela Aon, Tokio Marine Kiln e Bisa varia entre US$ 4 milhões e US$ 5 milhões (de R$ 16 milhões a R$ 20,8 milhões) para cada família.

Acidente completa três anos nesta sexta-feira — Foto: ADRIANO VIZONE/FOLHAPRESS

 

 

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